🟠 Paraguai cria obrigação fiscal para criptoativos e exige rastreamento detalhado de transações
🇵🇾 A DNIT (Dirección Nacional de Ingresos Tributarios), órgão tributário do Paraguai, formalizou nesta semana uma resolução que obriga residentes do país a declarar operações com criptomoedas ao governo. A regra entra em vigor já no exercício fiscal de 2026.
A declaração passa a ser obrigatória para qualquer pessoa física, jurídica ou entidade cujo volume anual de transações com criptoativos supere US$ 5 mil. A exigência abrange operações em corretoras, transferências diretas entre carteiras e uso de protocolos descentralizados.
Operadores de exchanges no país também estão incluídos na obrigação e deverão reportar os dados de seus usuários.
O que mais chama atenção é o grau de detalhamento exigido pela norma. O contribuinte deverá informar o hash da transação na blockchain, endereços de carteira envolvidos, quantidade negociada com até dez casas decimais, taxas de rede convertidas em dólares e a data e hora exatas de cada operação. O escopo inclui compra, venda, posse, doações, pagamentos, mineração, staking, lending e até NFTs.
O hash de uma transação é um código único gerado pela blockchain que funciona como um “recibo digital”. Ele permite identificar e rastrear qualquer movimentação registrada na rede de forma pública e imutável.
As declarações deverão ser enviadas pelo sistema tributário Marangatu, com prazo de até três meses após o encerramento do ano fiscal. O descumprimento gera multa de 1 milhão de guaranis, o equivalente a aproximadamente US$ 130, podendo haver sanções adicionais.
🟠 Ethereum divulga roadmap até 2029 com metas agressivas
✅ A Ethereum publicou seu planejamento técnico para os próximos anos, apelidado de “Strawmap 2029”. O documento detalha uma sequência de 7 hard forks — atualizações estruturais que não são compatíveis com versões anteriores da rede — com o objetivo de transformar a infraestrutura da blockchain em múltiplas frentes: velocidade, escalabilidade, privacidade e resistência quântica.
Hard fork é uma atualização de protocolo que altera as regras da rede de forma definitiva. Todos os participantes precisam atualizar seus sistemas para continuar operando. Diferente de um soft fork que há compatibilidade com a versão anterior.
Entre as metas mais expressivas está o salto de capacidade na camada principal (L1): de 15–30 transações por segundo (TPS) para 10.000 TPS. Nas redes de segunda camada (L2s), o objetivo é atingir 10 milhões de TPS, contra os atuais 15–30 mil teóricos.
Outro ponto central é a finalidade das transações. Hoje, a rede leva cerca de 16 minutos para confirmar de forma irreversível uma operação. Com o novo mecanismo de consenso chamado Minimmit, esse tempo cairia para aproximadamente 8 segundos, utilizando uma única rodada de votação entre validadores.
Finalidade é o ponto a partir do qual uma transação é considerada irreversível pela rede. Até atingir a finalidade, existe uma possibilidade técnica de que a transação seja revertida ou reorganizada.
O roadmap também inclui a adoção de criptografia pós-quântica como padrão, substituindo as assinaturas digitais atuais por assinaturas baseadas em hash — que não dependem da matemática que computadores quânticos poderão eventualmente quebrar. A abordagem contrasta com vozes do setor, como Michael Saylor, que consideram a ameaça quântica ainda distante.
Por fim, o plano prevê a implementação de transferências blindadas (shielded transfers), adicionando privacidade nativa às transações de ETH — que hoje expõem publicamente valores, remetentes e destinatários. Vitalik Buterin descreveu o processo como uma reconstrução gradual, peça por peça, até que toda a estrutura da rede seja nova.
Saiba mais sobre a Ethereum (ETH) aqui:
🟠 BlackRock lança ETF de Ethereum com staking e repasse de 82% das recompensas aos investidores
📈 A BlackRock estreou nesta quinta-feira (12) o iShares Staked Ethereum Trust na Nasdaq, negociado sob o código ETHB. O fundo fará staking de Ethereum e distribuirá 82% das recompensas aos cotistas em pagamentos mensais. Os 18% restantes serão divididos entre o trust, custodiantes e provedores de staking.
Segundo o prospecto, o fundo manterá entre 70% e 95% do seu Ethereum em staking a qualquer momento. A Coinbase e a Anchorage Digital atuarão como custodiantes, enquanto Figment, Galaxy e Attestant foram aprovadas como validadoras.
Staking é o processo de travar criptomoedas em um protocolo de blockchain (ou redes similares) para ajudar a validar transações na rede. Em troca, o participante recebe recompensas periódicas, funcionando de forma semelhante a um rendimento sobre o ativo mantido.
O ETHB amplia a linha de produtos cripto da BlackRock, que já inclui o IBIT (Bitcoin) e o ETHA (Ethereum sem staking). A expectativa da empresa é que parte dos investidores migre do ETHA — que acumula US$ 6,5 bilhões em ativos — para o novo fundo, além de atrair quem já faz staking por conta própria.
A taxa de gestão do ETHB será de 0,25%, com uma taxa introdutória de 0,12%.
No cenário competitivo, a principal rival é a Grayscale, que opera dois produtos com staking de Ethereum. O Ethereum Mini Trust cobra 0,15% de taxa e repassa 94% das recompensas, sendo o mais competitivo em custos. Já o ETHE da Grayscale repassa 77%, mas cobra uma taxa de gestão de 2,5% — muito acima do que a BlackRock praticará no ETHB.
🟠 Bitcoin x Ouro: Reação dos Ativos em Momentos de Crise Geopolítica
📊 Eventos geopolíticos relevantes costumam provocar movimentos imediatos nos mercados financeiros. Entre os episódios recentes estão o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani pelos Estados Unidos em 2020, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, que ampliou as tensões no Oriente Médio.
Também entram na análise o confronto direto entre Irã e Israel em abril de 2024, quando o Irã lançou ataques contra território israelense, e a Operação Fúria Épica em 2026, associada à recente escalada militar envolvendo o Irã e os Estados Unidos.
De forma geral, episódios de conflito tendem a favorecer ativos o ouro, mas o Bitcoin frequentemente apresentou, após maior volatilidade inicial, um aumento de demanda, o que é identificado pela valorização no fechamento do dia.
🟠 Banco Central abre ambiente de testes para corretoras reportarem operações de câmbio
🇧🇷 O Banco Central do Brasil publicou o Comunicado nº 44.851, liberando um ambiente de homologação para que corretoras de criptomoedas testem o envio de dados sobre operações cambiais com ativos digitais.
As corretoras deverão integrar seus sistemas ao Sisbacen e testar o envio do arquivo ACAM212, que reporta operações no mercado de câmbio. A medida equipara o monitoramento das operações transfronteiriças com criptoativos ao do mercado financeiro tradicional.
O Sisbacen é a plataforma utilizada por instituições financeiras para enviar dados e relatórios ao Banco Central. A homologação é uma fase de testes onde as empresas validam seus sistemas antes da exigência se tornar obrigatória.
A adequação exige cadastro formal no ambiente do Sisbacen, acesso ao serviço SCAM0019 e credenciamento no PSTA300, específico para plataformas de ativos digitais.
O prazo para conclusão dos testes é 15 de abril de 2026. Até lá, as corretoras devem validar seus relatórios e reportar eventuais falhas ao regulador.
🔄 Retrospectiva Semanal (13/03/2026)
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